
O júri popular realizado nesta quarta-feira (26), no Fórum de Marechal Deodoro, Região Metropolitana de Maceió, condenou Leopoldo César Amorim Pedrosa pelo assassinato do corretor de imóveis Gerson Gomes Vieira, ocorrido em 2015. O Conselho de Sentença acolheu a tese da acusação, reconhecendo a responsabilidade do réu pelo homicídio. A pena foi fixada em 13 anos e seis meses de reclusão, inicialmente em regime fechado, por unanimidade dos sete jurados.
Durante o julgamento, o Ministério Público reconstituiu o caso, lembrando que o corpo de Gerson foi encontrado em avançado estado de decomposição em um canavial de São Miguel dos Campos. Dias antes, o veículo da vítima havia sido deixado abandonado no bairro da Ponta Verde, em Maceió.
À época, as investigações da Polícia Civil apontaram Leopoldo Pedrosa como principal suspeito, sustentando que o crime teria sido motivado por um desentendimento relacionado ao pagamento de verbas de corretagem que chegariam a R$ 40 mil pela venda de um imóvel avaliado em R$ 800 mil.
A defesa buscou desclassificar a acusação, levantando dúvidas sobre a motivação apresentada pela polícia e contestando a construção da narrativa acusatória. No entanto, os jurados decidiram pela condenação.
O histórico criminal do réu também foi lembrado ao longo do processo. Conforme registros policiais citados em documentos oficiais, Pedrosa já havia sido detido anteriormente por porte ilegal de arma de fogo e chegou a responder a ocorrências enquadradas na Lei Maria da Penha. Ele também figurou em investigações por dirigir embriagado e portar documento falso.
Após a publicação da sentença, a defesa de Leopoldo Pedrosa ainda poderá recorrer.
O júri
O júri popular de Leopoldo, acusado de envolvimento na morte do corretor de imóveis Gerson, começou às 11h, sob condução do promotor Adriano Jorge. Logo no início, quando a primeira testemunha entrou no salão, o réu deixou a sala momentaneamente. Leopoldo esteve acompanhado de cinco advogados.
A primeira testemunha foi João Assis Vieira Neto, irmão da vítima. Ele afirmou conhecer bem o histórico do réu, citando envolvimento com tráfico de drogas, cheques sem fundo e outras prisões. Segundo ele, réu e família da vítima nunca tiveram proximidade, apesar de ambos trabalharem no ramo imobiliário.
Filho da vítima se emociona durante depoimento
A segunda testemunha foi Murilo Souto, filho da vítima e policial penal, que emocionado, chegou a chorar durante o depoimento. Murilo relatou que o pai havia comentado ter sido ameaçado por Leopoldo, devido a uma dívida relacionada à compra de uma casa. Disse que o réu postergava o pagamento e que, após cobranças mais firmes, teria dito que “daria um jeito, com o dinheiro dele”. Cerca de 20 dias depois, Gerson foi assassinado. Segundo Murilo, Leopoldo chegou a prometer entregar parte de uma franquia do Galeto São Luiz como parte da quitação do débito, mas essa promessa jamais se concretizou.
O filho lembrou ainda que, no dia do desaparecimento, Gerson tinha um encontro marcado com Leopoldo para tratar justamente da dívida. O celular da vítima foi desligado após o meio-dia, e o corpo de Gerson foi encontrado cerca de 15 dias depois, em estado tão avançado de decomposição que a família não pôde reconhecê-lo.
“Foi uma covardia. Jogaram meu pai num canavial para os bichos comerem. Não pude me despedir, o caixão teve que ficar fechado”, disse ele, chorando.
A juíza Fabíola Melo Feijão, que conduziu o júri, chegou a pedir que trouxessem água, enquanto outro filho chorava na plateia. Murilo afirmou que a família convive com essa dor há dez anos, em um processo marcado por sucessivos adiamentos.
Ele também contou que o pai dizia ter medo de Leopoldo, por este ser violento com a esposa, usar drogas e já ter sido preso por posse de armas.
A defesa tentou impedir essas declarações, alegando que não se podia mencionar processos anteriores, mas o promotor ressaltou que a testemunha apenas reproduzia falas da vítima. A juíza pediu que os advogados aguardassem o momento adequado para se pronunciar.
A estratégia da defesa tentou insistir em transferir a responsabilidade do crime para outro corretor, chamado Fernando, mas Murilo negou que o pai tivesse atritos com ele.
Ex-sogra defende o réu
A terceira testemunha foi Rosineide de Oliveira Vasconcelos, ex-sogra de Leopoldo, que hoje mora no Rio de Janeiro. Ela confirmou que, na época, havia episódios de violência doméstica e mencionou um boletim de ocorrência feito por ela e pela filha. Contudo, surpreendeu ao afirmar, sorrindo, que mais tarde teria percebido que “era ela quem tinha violentado” o réu. Sobre um episódio em que teve o braço quebrado, disse que caiu ao escorregar na água enquanto tentava agredir Leopoldo.
Réu chama vítima de amigo
O réu, por sua vez, negou todas as acusações. Disse que não tinha qualquer desavença com Gerson e que o considerava um grande amigo, a ponto de tê-lo nomeado gerente de sua franquia. Afirmou que a vítima, na verdade, dizia estar sendo ameaçada por Fernando e que teria presenciado ligações telefônicas que soariam como ameaças. Leopoldo ainda afirmou que a ex-esposa é quem tinha atritos com Gerson.
Em um momento do interrogatório, tentou argumentar sobre sua “boa índole” ao dizer que sua mãe se elegeu prefeita de Maribondo com apoio de nove vereadores, insinuando que isso não aconteceria se ele fosse “uma pessoa ruim”.
Até às 16h, o julgamento estava na fase conclusiva do tempo reservado à defesa, mas o promotor informou que apresentará réplica, o que deve estender os trabalhos.