
O Brasil continua sendo um país de maioria cristã, mas o retrato da fé nacional está passando por transformações profundas. Os novos dados do Censo divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 86,9% dos brasileiros com 10 anos ou mais se identificam com alguma vertente do cristianismo.
No entanto, a distribuição histórica dentro desse grupo mudou bastante:
- Católicos em queda: O catolicismo continua sendo a religião predominante, somando 57% da população (cerca de 100,6 milhões de pessoas). Apesar da liderança, é o menor patamar já registrado — no ano 2000, os católicos correspondiam a 74,4% dos brasileiros. A resistência católica, porém, continua forte na região Nordeste (e em Alagoas), que concentra as maiores proporções de fiéis do país.
- Avanço Evangélico: Os evangélicos já representam mais de um quarto do país (26,9%), totalizando mais de 47 milhões de brasileiros. O crescimento abrange as denominações tradicionais, o forte grupo de igrejas pentecostais e os chamados “evangélicos não determinados”, que frequentam cultos sem filiação específica.
- Sem religião: O terceiro maior grupo no país agora é formado pelas pessoas sem religião, que chegam a 9,3% (16,4 milhões de pessoas). O levantamento também contabilizou 1,7 milhão de brasileiros que se declaram ateus.
- Outras crenças: Religiões de matriz africana (Umbanda e Candomblé) registraram crescimento e somam pouco mais de 1% da população, enquanto os espíritas representam 1,8%. O IBGE também registrou judeus, muçulmanos, budistas e tradições indígenas, que juntos representam cerca de 0,2%.
Os dados confirmam o que já se observa nas ruas e bairros de todo o país: a pluralidade religiosa brasileira está se expandindo, desenhando um novo perfil demográfico e cultural para as próximas décadas.