Polícia

Exame de DNA confirma que menino de 6 anos morto em Maceió foi vítima de abuso sexual

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O exame de DNA divulgado pela Polícia Científica de Alagoas confirmou que Peterson Ykaro Gomes Cardoso, de 6 anos, foi vítima de abuso sexual antes de ser encontrado morto em um terreno baldio no bairro da Forene, parte alta de Maceió.

As análises foram realizadas pelo Laboratório de Genética Forense e apontaram compatibilidade genética entre o principal acusado do crime, que seria tio-avô da criança, e o material biológico encontrado nas amostras relacionadas ao caso.

De acordo com o laudo pericial, as análises estatísticas realizadas por meio de modelos probabilísticos indicaram que é 2,67 bilhões de vezes mais provável que a mistura de perfis genéticos identificada na amostra seja composta pelos perfis da vítima e do acusado do que pelos perfis da vítima e de um segundo indivíduo desconhecido, escolhido aleatoriamente na população brasileira.

Para chegar ao resultado, o perito criminal Clisney Omena analisou amostras biológicas de referência e materiais questionados relacionados à investigação.

Entre os materiais examinados estavam a amostra de referência genética da vítima e o material biológico de referência do acusado. A coleta do material do suspeito foi realizada por um perito criminal enquanto ele estava preso na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Segundo Omena, o exame identificou nas amostras questionadas um perfil genético masculino compatível com o perfil do acusado.

“O exame identificou nas amostras questionadas um perfil genético masculino compatível com o perfil do acusado. O resultado, associado às análises estatísticas, fornece um importante elemento científico para a investigação”, afirmou Omena.

A chefe do Laboratório de Genética Forense, perita criminal Bárbara Fonseca, explicou que um dos diferenciais do exame foi a utilização de um novo reagente empregado na separação de células espermáticas e não espermáticas. A técnica permite trabalhar de maneira mais específica com os diferentes componentes celulares presentes em uma mesma amostra biológica.

A separação possibilita uma análise mais direcionada do material coletado e amplia a capacidade de obtenção de perfis genéticos em investigações envolvendo crimes sexuais, especialmente em situações nas quais existe uma mistura de materiais biológicos de diferentes indivíduos.

“A utilização do novo reagente representa um avanço no trabalho desenvolvido pelo Laboratório de Genética Forense e reforça a importância da aplicação de novas metodologias para a produção de provas científicas cada vez mais precisas”, explicou a perita.

O laudo produzido pelo Laboratório de Genética Forense da Polícia Científica já foi encaminhado à autoridade policial e deverá ser anexado ao processo judicial.

A investigação é conduzida pela delegada Talita Aquino, titular da Delegacia de Combate aos Crimes contra a Criança e ao Adolescente (DCCCA).

O resultado do exame de DNA passa a integrar o conjunto de elementos periciais utilizados na investigação do caso.

Entenda o caso

Peterson Ykaro, de 6 anos, foi encontrado morto na noite do dia 6, em um terreno localizado nas proximidades do acesso a um residencial, no bairro da Forene, na parte alta de Maceió.

O corpo da criança foi localizado em um terreno baldio, e o caso passou a ser investigado pelas forças de segurança de Alagoas.

  • O encontro: Edilson passou o fim de semana com o filho e, no fim da tarde de segunda-feira (6), deixou o pequeno “Peter” na casa de parentes aos cuidados do tio-avô da criança.
  • O alerta: Horas depois, a mãe do menino notou o sumiço do filho e ligou para o ex-marido. O pai relembrou o diálogo exato: > “Ela ligou perguntando: ‘Cadê o Peter?’” e complementou: > “Quando foi por volta das 20h, a mãe dele perguntou: ‘Cadê o Peter?’. Eu disse: ‘Ele está na casa do seu pai’. Ela respondeu: ‘Aqui não está não’”.
  • A descoberta: Diante do sumiço, parentes iniciaram buscas na região da Forene e localizaram o corpo do menino por volta das 21h30 em um terreno baldio, a 800 metros da residência.
  • A prisão: Na manhã desta terça-feira (7), a polícia prendeu o tio-avô na Estação Utinga, em Rio Largo, após denúncias de moradores sobre atitudes suspeitas. O caso está com o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que aguarda os laudos do IML para determinar a causa da morte e a motivação do crime.

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