
A Justiça de Alagoas determinou o retorno do inquérito que apura a morte da esteticista Cláudia Pollyanne Farias de Sant’Anna, de 41 anos, à Polícia Civil, após o Ministério Público Estadual apontar falhas e ausência de laudos técnicos considerados essenciais para o avanço da ação penal. O caso ocorreu em agosto de 2025, em uma clínica de reabilitação em Marechal Deodoro, na Região Metropolitana de Maceió.
De acordo com o Ministério Público do Estado de Alagoas (MP-AL), o inquérito encaminhado pela Polícia Civil apresentava lacunas que impediam, neste momento, o oferecimento de uma denúncia consistente à Justiça. Entre os problemas apontados estão a falta de laudos periciais conclusivos e de uma descrição clara sobre a dinâmica dos fatos.
Em despacho, a juíza responsável pelo caso determinou que a autoridade policial realize diligências no prazo de 15 dias para suprir as omissões indicadas pelo MP. A magistrada ressaltou que a ausência de elementos técnicos compromete a análise jurídica e pode fragilizar eventual acusação criminal.
Segundo o MP-AL, sem os laudos e sem um relatório conclusivo detalhado, não é possível avaliar com precisão se houve homicídio doloso — quando há intenção de matar — ou outra conduta penalmente relevante. Por isso, o órgão solicitou a complementação das investigações antes de decidir pelo oferecimento da denúncia ou por novas diligências.

Relembre o caso
Cláudia Pollyanne morreu no dia 9 de agosto de 2025, após ser levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Marechal Deodoro. Familiares relataram à polícia que o corpo apresentava hematomas e sinais de violência, o que motivou o registro de boletim de ocorrência e a abertura de investigação.
Após as denúncias, as autoridades interditaram a clínica onde a esteticista estava internada. O proprietário do estabelecimento, Maurício Anchieta de Souza, foi preso 13 dias depois da morte e, posteriormente, indiciado por homicídio doloso.
Embora a Polícia Civil tenha informado, à época, que concluiu o inquérito em dezembro de 2025, o Ministério Público sustentou que o material enviado não continha todos os documentos indispensáveis para análise do caso.
Polícia Civil diz que já enviou laudos
Em nota divulgada nesta sexta-feira (13), a Polícia Civil afirmou que o inquérito foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário com relatório final e laudos técnicos elaborados pelo Instituto de Criminalística. A corporação declarou ainda que preza pela transparência e que as informações oficiais são repassadas exclusivamente por seus canais institucionais.
Com a nova determinação judicial, caberá à Polícia Civil complementar — ou reapresentar formalmente — os documentos solicitados. Depois disso, o Ministério Público analisará o conjunto probatório e decidirá se mantém o indiciamento por homicídio doloso, se requer novas diligências ou se adota outra medida processual.
O caso segue em investigação e permanece sob análise do Judiciário alagoano.